CM - LEGO® SERIOUS PLAY® Facilitador Certificado

Palavras são janelas ou paredes?

Nós somos seres humanos, e nessa condição nós nos manifestamos através de códigos, linguagem oral e escrita. E nesse contexto, muitos mal entendidos acontecem. E grande parte desses contratempos são por conta da nossa falta de habilidade em nos comunicar. Observar sem julgar é extremamente difícil para nós e ainda não sabemos como expressar as nossas necessidades.

Para o Psicólogo Dr. Marshall B. Rosenberg, é a maneira como falamos e ouvimos os outros a chave para as discórdias e desavenças.

Marshall, que cresceu em um bairro violento de Detroit e desde cedo se interessou por questões relacionadas a violência, desenvolveu um método de comunicação resultado de pesquisas: a Comunicação Não-Violenta (CNV).

Para Rosenberg o ser humano é naturalmente compassivo.

Mas o que nos desconecta dessa nossa natureza e nos leva a um comportamento violento e explorador?

A Comunicação não-violenta explica isso: ela permite que nos mantemos compreensivos e empáticos mesmo nas circunstâncias mais adversas.

comunicacao nao violenta linguagem chacal girafa

Para ilustrar esses dois modos, há duas representações de linguagens na CNV:

-Linguagem chacal (ou lobo)
Essa linguagem assume forma de julgamentos moralistas e gira em torno de uma única questão: quem está certo e quem está errado ou quem é bom e quem é mal.

Você aí deve conhecer alguém que não aceita não estar certo ou certa. É comum nos depararmos com pessoas assim durante as nossas vidas. Essa é a linguagem chacal mais pura. Além de construir as versões de modo que ela esteja sempre certa, com a sua versão dos fatos, essa linguagem faz com que os interlocutores se vitimizem transferindo suas responsabilidades para os outros, ou, ainda, assumindo responsabilidades que não são suas.

Por outro lado, Rosenberg define como Linguagem girafa a forma como podemos nos comunicar de forma não-violenta, empática e que aumenta a possibilidade de conexão entre as pessoas.

Mas por que girafa? As girafas têm o maior coração do reino animal, afinal ele precisa levar o sangue por todo aquele pescoço até o cérebro. Com um coração tão grande, a idéia é que elas ouvem com o coração. Essa linguagem visa identificar a necessidade e os sentimentos expressos pelo outro através de palavras e ações.

Muitas pessoas passam uma vida inteira se comunicando de forma desconsiderada ou até mesmo violenta sem que percebam isso. Isso os levam a não estabelecerem relações significativas ou íntimas e acharem que está tudo bem, que é assim mesmo. O que acaba resultando em raiva, ressentimento e frustação, pois, a pessoa não se sente parte de algo acolhedor e enriquecedor.

Para nos direcionar, há 4 componentes da CNV:

"Observação"

Observação está ligada à não julgamentos. Simplesmente perceber os fatos como eles realmente aconteceram pra você, sem fazer juízo de valor ou buscar quem está certo ou errado. É dizer o que nos agrada ou não.
Por ex. “É a segunda vez que Carla ocupa duas mesas num dia essa semana.”

"Sentimento"

É como nós nos sentimos a observar àquela situação: feliz, triste, magoado, irritado, assustado...
Aqui é muito importante distinguirmos nossos sentimentos das nossas opniões.
Ex: “Eu fico incomodado com a Carla ocupando duas mesas durante o dia.”

"Necessidade"
Reconhecemos as nossas necessidades, em relação à observação, que estão ligadas ao sentimento que identificamos. Aqui estamos falando de reais necessidades, não de desejos estratégicos.
Ex: “Preciso que Carla ocupe somente a sua mesa durante o dia.”

"Pedidos"
É a hora em que formulamos um pedido, de forma não-violenta, diante das nossas necessidades. Dizemos o que precisamos para atender as nossas necessidades.
Ex: “Com certeza você tem muito trabalho, Carla, e sua mesa pode não comportar toda a sua demanda. Mas gostaria que você notasse que ocupar outras mesas acaba tornando o trabalho de todos mais bagunçado e desordenado. Você poderia não ocupar outra mesa senão a sua, como os demais?”

Agora que conhecemos um pouco mais sobre a Comunicação Não-Violenta, o meu pedido é que você pratique! Vamos tentar?
A mudança interna desencadeia a mudança externa. Comece dentro de você.

Palavras são janelas (ou são paredes) - um poema de Ruth Bebermeyer

Sinto-me tão condenada por suas palavras.

Tão julgada e dispensada.

Antes de ir, preciso saber:

Foi isso que você quis dizer?

Antes que eu me levante em minha defesa,

Antes que eu fale com mágoa ou medo.

Antes que eu erga aquela muralha de palavras.

Responda: eu realmente ouvi isso?

Palavras são janelas ou são paredes.

Elas nos condenam ou libertam.

Quando eu falar e quando eu ouvir,

Que a luz do amor brilhe através de mim.

Há coisas que preciso dizer,

Coisas que significam muito para mim.

Se minhas palavras não forem claras,

Você me ajudará a me libertar?

Se pareci menosprezar você,

Se você sentir que não me importei,

Tente escutar por entre as minhas palavras

Os sentimentos que compartilhamos.

 

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